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Tudo sobre jorge nunes

Masculino
 
Escorpião
 
Cobra
 
Número de Mensagens :
0
 
Data de nascimento :
08/11/1989
 
Idade :
28
 
Localização :
porto, portugal
 
Profissão :
estudante de artes, escritor
 
Hobbies :
escrever, ler, desenhar
 
Quest. :
primeiro capitulo do meu livro
Capitulo Primeiro

DESCONHECIDOS


Estava calor, um calor abafado e insuportável, quando me pus à espera da minha mãe, que me viria buscar no seu Mercedes negro e novo.
Chegara a hora da minha mudança, uma mudança completa na minha vida, e só agora dava conta dos factores positivos, como os verões passados na praia quente e solarenga com amigos de infância, ou aquelas voltas a Katerown de bicicleta. Uma mala e uma pasta seriam as únicas coisas a levar para casa dos meus padrinhos, em Sutterfrin.
Aquele lugar vira-me nascer, crescer, e ser quem sou agora, mas com as complicações financeiras também as discussões surgiram por tudo e por nada e o clima estava tão pesado, que parecia cair-me uma pedra na cabeça quando permanecia em casa, parecendo estar tudo contra o que eu mais desejava, um pouco de sossego.
- Ainda estás a tempo de não ir! - Avisou-me a minha avó "Camila", como era conhecida lá na rua, estando quase a chorar com a minha partida.
A viagem seria penosa, demorada e muito quente, já que o interior do carro, bastante bonito, com pele de camelo num tom amarelado, tudo aquecia mais do que deveria, e, por mais de uma vez quase que assistira à sua total destruição por causa de pequenos incêndios. No entanto, via esta mudança como uma oportunidade de poder tornar-me melhor e principalmente por sair do inferno a que a minha casa se assemelhava. Os dias pareciam não ter fim, em que eu, era o alvo para todos os assuntos e conversas e assuntos, sem o mínimo interesse.
Mantinha-me distante. No fundo já tinha a decisão mais que tomada, ao ponto de ser matriculado na escola mais popular da nova cidade, o Liceu de Awferid e pretendia fazer por lá algumas novas amizades.
Ups! Bem, quando voltei a mim a minha avó estava a esbracejar e a gritar comigo, não levando eu duas palmadas por sorte, mas eu já estava habituado a este comportamento por parte da minha avó, até porque ela tinha razão.
Finalmente uma buzina rouca e bastante prolongada tinha-me chamado a atenção, continuando a minha avó a murmurar qualquer coisa entre dentes.
- Vê se não ficas sem comer e se não apanhas frio Dani. – Acrescentou preocupadamente.
Detestava aquele apelido, mas sabia que não me podia pronunciar em relação a isso. Ao menos agora iria ficar a ser chamado de Daniel ou Foller, mas não de Dani.
De facto esse nome fora-me chamado uma única vez por um tio, agora a viver no estrangeiro, e ainda por cima numa desta do quarto ano, quando interpretei o papel de uma rapariga chamada Dani.
Absolutamente repugnante. Maldita professora. Coitada!
Lá ao longe uma luz cintilava no asfalto quente e a exalar fumo precipitado para o ar. Alguém me acenava. Decerto reconhecera a pessoa e a Harley Davinson que percorria ruidosamente a estrada em direcção a mim, parecendo uma gelatina depois de atacada por uma colher, tremendo por causa do calor, coisas da física que não percebia muito, e não gostava.
O meu pai chamou o meu nome e logo reconhecia a sua voz grave e robusta, o seu tronco atlético e desportivo. Trazia um casaco de cabedal apertado até ao peito, umas calças verde alface que comprara no Havai, nas primeiras férias com a minha mãe, e tudo isso me fazia vacilar agora na escolha.
Cheirava a gasolina num tom carregado naquela linda peça. Era uma das preferidas pelos rapazes da região e eu tinha sorte em me passear nela.
Olá rapaz! - Exclamou com um sorriso entre dentes. - Estás grande. E a tua mãe como está?
Parecia uma pergunta de provocação, pois ele sabia perfeitamente como ela estava, mas eu não me importei muito com a pergunta e então respondi de forma rápida e fechada.
- Bem... – Pronto para bazarmos? - Questionou ele de modo bastante aberto e parecendo empolgado com a ideia.
Momentaneamente um arrepio me atravessou as costas, que suscitou em mim um medo de morte.
- Tu…. Sabes conduzir essa mota?
Engasguei-me quando a pergunta saiu bastante baixa, de modo a que ele não ficasse tão zangado como eu sabia que ficaria, mas no fim, apenas um riso abafado saiu e ele sorriu.
- Bem... Acho que sim. Achas que podemos ir?
Fiquei fascinado da maneira como a mota que movia com graciosidade ao passar por entre as faixas brancas da estrada algo velha. O vento passava por entre os meus cabelos meio espetados, de forma vulgar, e prontamente parecia que as minhas preocupações desapareciam como que fossem apenas lembranças de um momento mau e, que daí em diante ficariam fechadas numa gaveta do meu antigo quarto.
Era livre como uma ave no céu, bem, não totalmente mas, por agora era, enquanto via as grandes montanhas que atravessavam o céu agora desprovido de quaisquer nuvens e os verdes campos com erva fresca faziam os cavalos que se viam parecessem maiores que o habitual, que se calhar ao tempo que ali estariam não parecia assim tão absurdo pensar daquela maneira. A sensação de estar a país das preocupações da minha antiga vida, era uma alegria, e eu estava disposto a esquecer o passado.
Durante a viagem, que demoraria cerca de meia hora até ao largo onde viviam os meus padrinhos, eu e o meu pai não nos falamos e eu sabia que em princípio, tímido como ele era, não passaria muito dali. Senti-o diferente por causa da idade, é certo, mas não era só isso que me estava a deixar um pouco intimidado de estar ali.
O distanciamento que permanecíamos embora eu estivesse a poucos centímetros dele, pareciam quilómetros que nos separavam, como se uma rede não me deixasse tocar-lhe e um vidro que não me deixava ouvi-lo caso ele falasse. Isso fez-me lembrar dos meus amigos e fiquei angustiado só de pensar, tentando não pensar que cometera um grande erro. Não era muito difícil pensar assim, pois eu era bastante pessimista.
Passara então uns trinta e cinco minutos destes pensamentos e eu nem notara que o descanço da Harley estava no solo arenoso que sujava a pequena entrada da casa.
A casa não era propriamente de ricos como eu estava habituado à minha, e as suas dimensões também não me esclareceram a tal conclusão. Tinha uma cozinha estreita que acabava numa janela com a persiana descida.
Os quartos pareciam-se com os da minha antiga casa, com a pintura ainda fresca, cheirava-se perfeitamente. O mais pequeno, certamente onde eu ficaria também estava pintado, num tom meio avermelhado que não me seduziu muito, mas felizmente tive a notícia de que havia um outro bastante maior, e o meu pai levara para lá as coisas. Este figurava bastante o meu tipo, com a cor azulada a predominar por completo, alguns móveis, poucos e pequenos, e o mais interessante, uma televisão e uma data de cd's pendurados a pregos na parede por baixo de uma prateleira com uma aparelhagem de alto som, com duas colunas do lado e a mostrarem a marca da Sony. Perguntei-me que estaria no quarto errado mas depressa percebia que seria mesmo onde eu ficaria nos próximos tempos, ou anos.
Estava a viver um sonho antigo, não que não tivesse isto em Katerown mas aqui, isto era diferente, mais novo sem dúvida, e o melhor era que seria um quarto só para mim, não tendo eu de compartilhá-lo com nenhum irmão mais velho que se armava em mandão. Estou a falar do James. Era o meu único irmão e desde que atingiu os 18, atingira também a parvalheira, digo sem dúvidas. Enfim.
A casa parecia abandonada, sem que alguém aparecesse para me dar as boas vindas, com tudo perfeitamente organizado. A meu ver tinha um aspecto de abandono na sala, algo perdida entre fotografias velhas e armários de loiças dos anos 50, e o tecto tinha buracos feitos pelos bichos da madeira. Tomara que não me caísse na cabeça. Suspirei.
- Não está cá ninguém, pai.
A minha afirmação mostrava arrependimento e eu senti-me vulnerável às expectativas que teria tentado pensar serem mais favoráveis que "o normal". Tinha a certeza que estava errado mas mesmo assim, as saudades apertavam.
O meu coração contraiu-se dentro do peito e eu não conseguia respirar da forma correcta, soltando alguns soluços enquanto olhava em meu redor, vazio e sem vida.
- Talvez estejam a chegar. Talvez...
Aquele momento de pura hesitação por parte de Johan, deveria proceder-se devido a algo que ele sabia e não me contara.
Sentia-se a eminência de uma derrocada na minha cabeça com aquele suspense e, por momentos, pareceu que eu ouvi uma voz feminina a rir-se.
Tinha gente em casa mas eu não via clima vivo. A mudança estava a dar comigo em doido. Os risos voltaram a ouvir-se e desta vez nitidamente claros. Isto, porque depois disso um mar de gente saiu de trás das cortinas da janela da sala e começou-me a cantar os parabéns. Senti uma confusão de sentimentos a invadirem-me os sentidos e, num sentido de carácter união e tristonho, tornei aquilo num aconchego no meu coração. Contorci as mãos vezes sem conta e os meus ossos salientes obrigaram os dedos a fecharem-se contra o meu corpo, abrindo os meus olhos para deslumbrar toda a beleza genuína que me rodeava. Até aí, já nem me lembrava de algum dia ter participado numa festa, seja pelo que fosse, e quando havia o meu aniversário, apenas assistia a prendas de palavras amargas entre os meus país. Tanto só para mim, de gente que nem me conhecia.
- Lamuriei-me estupidamente.
- Não dizes nada? Não gostaste? - Gritavam os presentes, sentindo-me eu completamente baralhado. Era tudo tão estranho, abstracto e deformado.
Chegara até a pensar se estariam a gozar comigo para depois me porem a trabalhar.
Nem tive tempo de pedir desculpas e fui a correr para o meu quarto depois de subir as escadas ainda que irregulares, que emitiam um ruído estranho, e percorrer um longo corredor cheio de imagens e fotografias de família.
Tranquei a porta com violência e a paisagem tinha mudado radicalmente. Via parcialmente que iria chover em breve e por ali nada me agradava, com casas cinzentas e um cheiro a fumo vinha dos carros.
- Mais valia não ter vindo para aqui! - Interroguei-me a mim mesmo, batendo com a mão na secretaria, ainda meia húmida do verniz que o meu pai passara, pois era carpinteiro.
Uma profissão era certo, mas em relação às que haviam na minha antiga cidade, nada era.
Eu estava habituado a médicos e engenheiros, numa cidade grande.
Não sabia desvendar o verdadeiro motivo pelo qual tinha fugido da sala, mas naquele momento, o que eu mais desejava era que o amanhã chegasse.
Ainda era de dia e pelo estado do sol, não deveria passar muito das cinco e pouco. Suspirei em sinal de cansaço. Só agora me dava de conta que tinha a pele eriçada.
A temperatura descera bastante, pelo menos uns dois graus, e a temperatura não passaria dos onze graus antes. Decerto que a minha roupa era quente, usando eu uma camisola de malha que a minha mãe fizera antes de me mudar para cá. Um casaco desportivo da marca Adidas, fino mas com a intenção não de me aquecer mas de combinar com a camisola faziam o conjunto no meu tronco algo magro, mas que toda a gente dizia ser atlético, apesar de eu não achar.
Por outro lado pensava que não seria mesmo verdade, até porque eu fazia musculação todas as sextas de manhã num ginásio ali à beira. As calças que usava eram de ganga, acabando com uma beira fina virada para cima. Não era a minha roupa favorita mas em breve as minhas melhores peças seriam, trazidas pela minha mãe. Não estava preocupado em relação a nada disso. Também não era pessoa que preocupasse com muitas coisas. Reparei quase sem crer na janela do quarto, virada para a restante cidade.
A vista era autêntica e bastante original, nada do que vira até então em Katerown. Ao menos nem tudo me aborrecia ali, tomei eu atenção ao que pensava, com um pingo de ironia nas palavras que vagueavam na minha cabeça, algo aturdida pelo cinzento do céu.
As portas não abriam com facilidade, e vi que teria de recorrer à minha força para as abrir. Tinham um aspecto velho, com uma pintura branca pintada de fresco por cima de um cinzento-escuro e gasto, visto em algumas partes com falhas. Tinha buracos provocados pelos bichos da madeira e por fim ganhei coragem para abrir a tal janela, mas detive-me quando ela soltou um barulho de arrastamento encravado que me levou a encostar-me de imediato aos pés da minha cama, baixa e com cobertores extremamente coloridos.
Um barulho semelhante a pequenas pedras começou a ouvir-se a bater nos vidros já embaciados, e eu soube que começara a chover. Não era mau aquele murmurar mas mesmo assim sentia-me incomodado. No meu interior, o meu coração palpitava de tal forma, que pensava ir desmaiar, pois não tinha comido.
- Daniel? Está tudo bem? - Perguntou Moli, a minha madrinha, do lado de fora do meu quarto. Eu conseguia notar a preocupação na voz dela, mas nada disse.
- O que se passou? Tivemos de mandar as pessoas embora! O que se passa? - Insistiu ela, desta vez sendo o meu padrinho também falava, mas eu continuei calado, ouvindo bater a porta várias vezes.
Era óbvio que estariam preocupados, e continuava assim, estando a noite a precipitar no céu aveludado de nuvens aglomeradas e pesadas. Ainda estavam a cair gotas do telhado.
Não me levantei por um instante e o silêncio instalou-se pesadamente. Eu não sabia, mas tinha adormecido.
Durante essa mesma noite, alguns sonhos ligeiros, não deixaram marca no meu consciente, mas que ainda assim me deixavam agitado, fazendo-me acordar por breves segundos, não dando noção de onde estava. Não havia necessidade de eu sonhar muito, pois nem era meu hábito realizar proezas semelhantes, e assim, as horas passaram sem que as minhas memórias me abalassem verdadeiramente. Saberia porém, que na manhã seguinte acordaria meio atordoado e com a sensação de extrema amargura, com algumas dores de barriga, que talvez, o que fariam, era acordar-me agora e pôr-me a assaltar o frigorifico. Tal não sucedeu e eu voltei-me para o outro lado, não me recordando de mais nada, até à manhã seguinte.
Quando amanheceu, eu não ouvira nenhum dos meus dois despertadores que trouxera de Katerown.
- Daniel? Oh meu deus, ainda não abriste a porta?
Reconheci a voz melodiosa da minha madrinha, mas, por agora, mostrava ser uma voz aflita e totalmente exagerada de preocupação. Afinal eu não estava tão…
- Que horas são? – Quis saber eu, esperando alguma resposta do lado de fora da porta, que entretanto veio, mas em total sentido de reprovação.
- Não interessa que horas são. Apenas sei é que estás meia hora atrasado. É o teu primeiro dia de aulas. Por favor levanta-te!
Dei um salto da cama para o chão, tentando ficar de pé nem que fosse por cinco minutos, mas o corpo estava de tal forma adormecido que eu ainda cambaleei até à casa de banho, apenas para ver a minha figura triste....
Continua...
 
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02/02/2010
 
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